Sísifo
Tic-tac, tic-tac, o relógio bate, bate.
São cinco da manhã, e a soneca toca, toca.
Corpo molhado, relógio tocando: tic, tic, tac...
Tic-tac, tic-tac, o relógio bate, bate.
O tempo acelera no caminho para o abate;
carro ligado, seta piscando: tic, tic, tac...
Tic-tac, tic-tac, o relógio ainda bate.
Carro andando, carro parado,
sinal vermelho, amarelado.
Tic-tac, tic-tac, o relógio faz start.
O tempo demora para o proletário.
Tic, tic, tac, acelerando o repasto.
Tic-tac, tic-tac, e a monotonia: tac, tac.
O tempo ainda se enrola na longa teia da aranha,
tic, tic, tac, tac, rondando essa vida profana.
Tic-tac, tic-tac, volta o relógio e bate.
Verde, amarelo e vermelho
acompanham, fazendo tic, fazendo tac.
Tic-tac, tic-tac, o crepúsculo é curto,
o relógio retrocede: tic, tic, tac.
E a soneca: toca, toca, toca...
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