bolhas

Certa vez, estava andando, cambaleando na calçada.
Aflita com as finanças mensais que chegavam como avalanche.
Na rua, um carro parado no semáforo,
e eu era a pessoa que estava com pressa,
preocupada com o atraso.
Há muito o que fazer quando o dia mal começa.
 
Na escola, olhava pela janela e deixava meus pensamentos vaguear,
imaginando sair dali, curtir o dia, passear e namorar.
Enquanto isso, estava ensinando gramática e matemática,
observava os olhos atentos e sonolentos,
olhos que aguardavam o sino tocar e a hora de sair.
 
Nos arredores da cidade, lá estava eu interrogando um larápio.
Sei que a vida é injusta, mas é necessário cumprir regras e não pegar o caminho mais fácil.
E eu tentei pegar o caminho mais fácil; queria saciar a fome.
Me dei mal; aqui já sou conhecido de nome e sobrenome.
 
Enquanto isso, cá estou na cama de um hospital,
pensando na vida, imaginando a morte, aguardando meu suspiro final.
Do outro lado, em outra sala, estou chorando, confuso e curioso.
Meus pulmões inflam, vejo tudo tão estranho e sinuoso.
 
Mas agora eu mudei. Enquanto alguns estão dormindo, tem outros acordando.
São tantas trilhas a seguir nessa raiz.
Sou cada um seguindo minha diretriz.
 
Essa sou eu, em meu ciclo de alternância.
Apenas vivendo, almoço o prato da humildade enquanto saboreio o prato da ganância.
E quanto a você, quem é? Qual o valor da sua insignificância?

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