Parens


Um dia senti medo, medo das histórias antes de dormir,

medo do lobo, da serpente, do dragão e do mago.

Chorei, me escondi sob as cobertas e ganhei um afago.

Então adormeci, plenamente consciente de que era protegida.


Um dia senti medo, medo das notas vermelhas no boletim.

Medo das provas, das brigas infantis na escola, por motivos fúteis.

Voltava pra casa aos prantos, mas um abraço terno me acalmava.

Bastava um sorriso doce, um bolo quente e já me alegrava.


Um dia senti medo, medo das primeiras paixões que iam e vinham.

Mas o afago, o sorriso, o bolo e o carinho já não eram suficientes.

Ao crescer, mudamos, nos afastamos, nos reservamos de um jeito inconsciente.

E nossos heróis já não são aqueles personagens.


Hoje não sinto mais o medo, sou eu quem dou o abraço,

hoje faço o bolo, sorrio, dou um carinho e um beijo terno.

Sabendo que haverá um momento em que não será mais necessário.

Crianças ficam adultas e o medo é curto e temporário.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Viva

A grande festa

Poeta do amor com dor.