Lacuna



Meu peito murmura em silêncio pela falta de seu afago,
No meu corpo resta a saudade do seu beijo cálido,
Em minha mente, o lampejo dos brilhos dos seus olhos permanece.
Fixo, desperto, marcante como ônix reluzente e retumbante.

Minha pulsação se agita dolorosamente com sua ausência.
O vazio é meu escudeiro leal, marcando presença.
Repousa ao meu lado como uma sombra que me persegue.
Resta-me a angústia que segura firmemente a minha mão.

O que sustenta minha existência é justamente a saudade.
Ela é o sinal de que esteve perto, próximo, contíguo.
A prova dolorosa, prática e empírica do que foi realidade.
O espelho de um passado tão presente, tão próximo e tão remoto.

Espero ansiosamente o desfecho desse meu lamento,
Para que assim possa seguir livremente em frente e avante.
Ser capaz novamente de sentir em meu íntimo, na essência, no âmago.
E assim, finalmente, libertar a dor de um coração errante.

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