Doce repouso



O frio já não é mais tão assustador ou devastador,
minha respiração está lenta, calma, branda.
Como uma pena caindo no chão vagarosamente,
vagueando pelo ar, leve, em seu tempo, de mansinho.

Lá fora, o clima está propício para o dia.
O ressoar da chuva sobre o telhado ecoa em meu quarto.
Intenso, constante, abrupto, inundando a terra com seu céu cinzento.
Confirmação para o término ideal do meu estágio de tormento.

No início, não aceitei, chorei, gritei, reclamei até o olho lacrimejar.
Depois, veio a dormência do meu espírito entorpecido e anestesiado.
Já não me importo mais com o que irei enfrentar.
Fui aceitando meu destino, de um final inevitável.

Se existe arrependimento, remorso ou amargura,
já é irrelevante.
Sentimentos não entram na sepultura.
Não nego que tenho medo, ele é meu conforto.
Afinal, é o fato concreto de que já fui cheio de vida.

Meus pulmões começam a falhar, minha boca começa a sangrar.
Sinto um forte arrepio em meu corpo gelado.
Forço meus olhos, mas não adianta, é em vão, inútil.
Minha mente se apaga, ouço um ruído de máquina e finalmente acaba.

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