Bem-vindo à festa
A sala está cheia, entro e forço um sorriso.
Uma batida com uma melodia repetitiva ecoa.
Pego uma bebida, olho em volta e improviso.
Ao meu redor, todos cantam, riem, brincam e dançam.
E eu ali, estática, com uma máscara,
observando tudo, fingindo uma alegria ilusória.
Meu cérebro me diz que serão apenas algumas horas.
Isso se torna um alívio: saber que virá o momento de glória.
Procurando um lugar silencioso, encontro uma sala,
mas lá há pessoas sentadas, conversando sobre quem é o mais mala.
Então, de repente, chega a minha vez de fala,
faço uma piada; se disser o que realmente penso, a diversão acaba.
As músicas, as vozes, os sorrisos, uma fofoca interminável.
Nada faz sentido, nada é interessante, tudo tão lamentável.
Enquanto isso, continuo fazendo uma personagem impecável!
Ser eu mesma em um ambiente assim seria imperdoável.
A música de que gosto não é contagiante,
a conversa de que gosto é entediante,
manter minha essência, em uma festa, seria frustrante.
Quando finalmente aquela festa tem seu fim,
chego em casa, olho no espelho, não me resta mais nada.
Toda a minha energia foi sugada, esgotada.
Naquele teatro ao vivo, naquela peça encenada.
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