6.205 dias
Foram seis mil duzentos e cinco dias,
Dezessete outonos, dezessete primaveras,
Dezessete verões e dezessete invernos,
E bastou apenas quarenta e cinco dias.
Sim, quarenta e cinco sem um adeus,
Nem tempo o suficiente para dois meses,
E ainda penso por diversas vezes:
Por que você morreu?
O tempo passa, a vida continua.
Um dia, sequer ficará na memória,
Se tornará apenas outra pessoa sem importância,
Que ninguém mais guardará na lembrança.
Mas, para mim, resta a saudade dos dias que passamos
E uma saudade ainda maior dos dias que não vieram.
É muito engraçado, ao ponto de ser irônico,
Mas sua ausência no meu casamento foi um verdadeiro incômodo.
Sinto raiva, tristeza, dormência e uma dor infinita.
Queria saber se um dia aceitarei sua partida.
Deveria existir um dia, uma data definida,
Uma regra para o luto a ser estabelecida.
Mas não há. A morte não tem regras nem prazo.
Tudo acontece do nada, ao acaso.
Esse tormento infindável, essa angústia inevitável.
Aprendi muitas coisas com você.
Aprendi a ser uma boa pessoa, aprendi a amadurecer.
Mas o que nunca me ensinou
Foi o que fazer para te esquecer.
Comentários
Postar um comentário