Ecos da mesma história
Certa vez a matriarca disse: quando se tornar mulher você saberá
a filha respondeu: comigo jamais, será bem diferente eu sei.
Mais uma vez a matriarca disse: como eu sou você se tornará
Esperta como era, a filha respondeu: não sou assim e nunca serei.
A mãe ainda alertou: criança, ainda é cedo para dizer e como um dia eu disse, um dia também dirá.
A filha com olhar de esperança, com o coração de uma criança, pensou: diferente me tornarei.
A vida passou, tudo mudou, a menina cresceu e floresceu, ainda com fé
era apenas uma menina, cheia de vida e se achava uma mulher
Correu e fez de tudo para não repetir o mesmo ato, não seguir os mesmos passos
mas ainda sim, de alguma forma “o mundo dá voltas” a menina viu seu reflexo no espelho
olhou bem, e de repente, ao ver sua imagem refletida, ficou de joelhos.
Descobriu em seu olhar, o olhar da matriarca, deixado com marcas e se pôs em pé.
Hoje, ao se lembrar da velha palestra, a menina descobriu que a vida é como uma escola
E como dito pelo grande poeta e sábio senhor Cartola.
“Ouça-me bem amor, o mundo é um moinho, vai triturar seus sonhos tão mesquinhos”
“De cada amor tu herdarás só o cinismo, quando notares estás á beira do abismo”
“Abismo que cavaste com os teus pés”.
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